A BMW venceu as 6 Horas de São Paulo por apenas 2,254 segundos sobre a Ferrari e assumiu a liderança do WEC 2026, após a Toyota, vencedora de Le Mans, cair para 12º lugar em Interlagos e perder a ponta do campeonato.

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Kore • pt-BR
O Mundial de Endurance (WEC) 2026 ganhou um novo líder e uma cara totalmente diferente depois que o lendário Autódromo de Interlagos devorou a invencibilidade da Toyota. Na única etapa brasileira do calendário, o Rolex 6 Horas de São Paulo, a vitória escapou em um domingo de emoções extremas e foi parar nas mãos da BMW M Team WRT, que, com uma atuação tática impecável, colocou o carro #15 no lugar mais alto do pódio e assumiu a ponta da classificação.
O trio formado por Kevin Magnussen, Raffaele Marciello e Dries Vanthoor completou as 242 voltas no traçado de 4.309 metros em exatas 6 horas, 0 minutos e 26,462 segundos. A margem sobre a Ferrari AF Corse #51 foi de apenas 2,254 segundos — um desfecho dramático que manteve as arquibancadas de Interlagos em êxtase. A briga pela vitória na classe Hypercar foi um espelho da temporada: feroz, imprevisível e decidida nos detalhes.
A terceira posição ficou com a Cadillac Hertz Team JOTA #12, que completou um pódio de fabricantes distintos, mostrando o equilíbrio que tomou conta da categoria máxima do endurance em 2026. Mas o grande terremoto na tabela veio com o desastre da Toyota Gazoo Racing. A equipe que havia vencido as 24 Horas de Le Mans e liderava o campeonato com autoridade viu o carro #7 cruzar a linha de chegada apenas na décima segunda colocação, após uma série de punições que destruíram qualquer chance de pontuar.
Com o resultado, a BMW assumiu a liderança do Mundial de Endurance, empurrando a Toyota para a segunda posição. A etapa brasileira, quinta do campeonato, transformou a disputa pelo título em um cenário completamente aberto para a segunda metade da temporada. A festa em Interlagos não se limitou à Hypercar: na classe LMGT3, o Corvette #34 dominou a prova e conquistou uma vitória que também mexe com a tabela.
A corrida foi decidida na estratégia. O trio do carro #15 explorou cada janela de pit stop e cada bandeira amarela para se manter sempre à frente do radar. Magnussen, conhecido pelo estilo agressivo, soube equilibrar a fome de voltas rápidas com a preservação dos pneus, enquanto Marciello e Vanthoor mantiveram a consistência nos stints intermediários. A Ferrari #51 pressionou até a última volta, mas a defesa da BMW foi milimétrica — os 2,254 segundos finais foram a menor margem registrada em uma etapa do WEC nesta temporada.
A Toyota chegou a São Paulo como favorita. Após a glória em Le Mans, o time parecia ter o controle do campeonato. Mas Interlagos é um circuito que não perdoa excessos. As punições aplicadas ao carro #7 — cujos detalhes os comissários desportivos ainda estão analisando para divulgação completa — afundaram a equipe para fora do top 10 logo no início da segunda metade da prova. A partir dali, foi um exercício de sobrevivência. A décima segunda posição significou zero pontos e a perda da liderança que a Toyota mantinha desde a primeira etapa do ano.
Com a virada, a BMW salta para a ponta da classificação com uma vantagem que ainda é apertada, mas com o fator psicológico amplamente favorável. A Ferrari, que chegou a sonhar com a vitória, também se mantém viva na briga, especialmente porque o pódio em Interlagos a recoloca na cola dos líderes. A Cadillac, terceira colocada, mostra que não está no campeonato apenas para figurar.
Enquanto a Hypercar concentrava as atenções do público, a classe LMGT3 teve seu próprio espetáculo. O Corvette #34 realizou uma prova praticamente sem erros e venceu com uma atuação de equipe madura, consolidando-se como uma força na temporada. A vitória no Brasil coloca o time norte-americano em posição de brigar diretamente pelo título da categoria Gran Turismo.
A etapa de Interlagos deixa duas marcas profundas. A primeira é que a hegemonia da Toyota, que parecia sólida, foi fragilizada em um único fim de semana. A segunda é que o WEC 2026 se transformou em uma guerra de nervos, onde confiabilidade, estratégia e resiliência valem mais do que qualquer favoritismo pré-corrida. A BMW herdou a liderança com méritos, mas terá que defendê-la em circuitos tão distintos quanto Fuji e Bahrein nas próximas etapas. Para os fãs brasileiros que lotaram Interlagos, a edição de 2026 ficará na memória como o dia em que o endurance virou de cabeça para baixo.